A NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO

Atualizado: 17 de Jul de 2019

Em minha opinião a questão mais importante a ser conhecida pelos empreendedores de pequenos negócios é o mecanismo do dinheiro na vida empresarial. E no centro desta questão está a Necessidade de Capital de Giro.


Imagine que tudo acontece em dois mundos paralelos ligados por uma ponte temporal. Meio metafísico, não é? Mas é bem simples.


Existe um mundo dos fatos econômicos e um mundo onde ocorrem as consequências financeiras destes fatos. E a ponte que liga estes dois mundos é a Política de Prazos da empresa.


Considere que VENDER é um fato e RECEBER é a consequência financeira deste fato.

Pelo lado dos custos e saídas de dinheiro do Caixa, considere que USAR é um fato e a consequência financeira deste fato é PAGAR.


Na prática os fatos e suas respectivas consequências financeiras não ocorrem, necessariamente, ao mesmo tempo. Aliás, raramente, os fatos e suas consequências ocorrem simultaneamente.


Esta defasagem de tempo entre os fatos econômicos e suas respectivas consequências no caixa da empresa são os PRAZOS.


Toda empresa tem a sua Política de Prazos, que é composta por três prazos:

· Prazos concedidos aos clientes;

· Prazos obtidos com os fornecedores;

· Prazos das mercadorias paradas no estoque.


E, é esta Política de Prazos que regula a velocidade de saída e a velocidade de entrada de dinheiro no Caixa da empresa.


Assim, ao conceder prazo para o seu cliente, você está retardando a velocidade de entrada no Caixa. E vice-versa, quando você vende à vista, você está acelerando a entrada de dinheiro no Caixa.


Por outro lado, quando você obtém prazo para pagar os seus fornecedores você está retardando a velocidade de saída de dinheiro no Caixa. E quando paga suas compras à vista você está acelerando a velocidade das saídas de Caixa.


O prazo de permanência das mercadorias no estoque é regulado pelo tamanho das suas compras em relação ao volume das suas vendas. Quanto maior for a compra, mais tempo as mercadorias ficaram paradas no seu estoque, o que contribui para retardar a velocidade de entrada de dinheiro no Caixa. Quanto menor for a compra menos tempo as mercadorias ficarão no seu estoque e isso contribui com o aumento da velocidade das entradas de Caixa.


Suponha que a sua empresa já esteja funcionando com a melhor Política de Prazos possível, dadas as condições de mercado. E mesmo assim a velocidade das saídas de Caixa seja maior que a velocidade das entradas. Neste caso, seu Caixa ficará ciclicamente com um déficit. Ou seja, frequentemente você terá dificuldade para pagar suas contas. Isso não quer dizer que a sua empresa não seja lucrativa. Isso quer dizer que você precisa ter dinheiro guardado para compensar a falta de dinheiro criada pela defasagem entre a velocidade das entradas e das saídas do Caixa. Defasagem esta que é criada pela Política de Prazos.


Imagine uma caixa d’água cheia na qual você pode regular o fluxo de entrada e o fluxo de saída da água por meio de torneiras. Imagine que a sua política de regulagem de abertura e fechamento destas torneiras faz com que você eventualmente faça sair mais água do que esteja entrando. Perceba que nestes períodos a quantidade de água dentro da caixa deverá diminuir. Comparando com o Caixa da sua empresa, é isso que acontece como consequência da sua Política de Prazos. Nestes períodos os pagamentos são maiores do que os recebimentos. Em outros períodos os recebimentos serão maiores que os pagamentos.


Mas, o fato é que os períodos em que os pagamentos são maiores que os recebimentos ocorrem recorrentemente e em um ritmo definido pela Política de Prazos. Ou seja, eventualmente você deverá recorrer a dinheiro para complementar o Caixa para fazer seus pagamentos.


Este valor em dinheiro é o nome de Capital de Giro. Ele pode ser dinheiro seu, guardado, mas também pode ser obtido por meio de empréstimos.


A Necessidade de Capital de giro, portanto, faz parte da natureza dos negócios. Ela não é um defeito dos negócios.


Alguns modelos possuem necessidades maiores enquanto outros possuem necessidades menores. Às vezes tão pequenas ao ponto de serem negativas. E que, me valendo da licença poética me permito chamar de “Desnecessidade” de Capital de Giro.


Empresas usam recursos para vender seus produtos e serviços. Em termos monetários as empresas lucrativas vendem mais do que usam. Mas, mesmo sendo lucrativas elas possuem uma defasagem entre a velocidade das entradas e a velocidade das saídas do Caixa, o que gera a necessidade de se ter dinheiro guardado para, durante estes períodos cíclicos de “seca” no Caixa, fazer frente às despesas que devem ser pagas.


Sendo assim, dependendo da Política de Prazos da empresa e do valor dos seus custos operacionais, podemos dimensionar a quantidade de dinheiro necessária para enfrentar estes ciclos de ausência de recursos no Caixa. Ou seja, podemos dimensionar o valor da sua Necessidade de Capital de Giro.


Este é o mecanismo que gera a Necessidade de Capital de Giro de um negócio. É fundamental que empresários e gestores entendam este mecanismo para que possam dimensionar suas variáveis e calcular a Necessidade de Capital de Giro dos seus negócios.

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